Era preciso tratar do
papel com urgência.
Cheguei à repartição
de finanças ainda não eram nove, ao contrário da senhora que abre
a porta. Na minha vez tirei a carta do bolso do casaco e depositei-a
em cima do balcão, ao mesmo tempo que dava os cordiais bons dias. A
menina pediu-me que preenchesse uma formalidade e eu anuí. Claro que
tive de desembolsar algum para ter acesso ao formulário, já se sabe
ao preço que vai o papel, se for carimbado então...
«Agora é só esperar
entre dez a quinze dias úteis e pode vir levantar o seu documento.»
Com a breca! Mas por que
diabo levam sempre tanto tempo a emitir um simples papel? Desta vez
não fui capaz de conter o meu impulso. Saltei por cima do balcão
com uma agilidade notável e corri em direcção à porta que dizia,
em letras garrafais, “ENTRADA RESTRITA”. Só podia ser aquela.
Antes de ser atropelado pelo segurança que me levou à esquadra
ainda consegui ver. Ou pelo menos acho que não sonhei, a pancada
ainda foi forte. Dentro da sala estavam: uma tartaruga das galápagos
a carimbar, um tigre de bengala a arquivar e dois pinguins que
pareciam mesmo estar a assinar documentos, mas não tenho a certeza
porque acho que as canetas não funcionam daquela maneira.
De qualquer das formas
está tudo explicado. Os pobres bichos podem ser muitíssimo mais
inteligentes, especialmente os pinguins, mas não têm polegares para
manejar os papéis e as canetas e os carimbos e tudo o resto! Assim
também eu demorava uma eternidade.
