quarta-feira, 19 de março de 2014

O Civil

Desta vez quase fui atingido, mas escapei por pouco. Os da esquerda atacavam sem piedade em todas as direcções, não tinham qualquer tipo de organização ou critério. Os da direita respondiam assertivos, com empáfia e uma certa malícia. Tentei improvisar uma barricada com o que pude encontrar, mas não tinha hipótese. Eram demasiados e o seu poder incalculável. Usavam todo o tipo de armas, desde as mais primitivas às mais modernas, fulminantes. Arrasavam tudo.
As galerias ecoavam sons ríspidos indecifráveis e de uma potência incrível, tal era a intensidade da luta e rivalidade. Já não aguentava mais, tinha de sair dali a todo o custo! Para onde quer que olhasse lá estava um, pareciam todos iguais mas lutavam entre si. Soltei um grito desesperado e apanharam-me. Esperneei, esbracejei e gritei. Tornar-me-ia um deles? Estava a enlouquecer. Foi a minha salvação!
Prefiro estar aqui encarcerado do que voltar lá, àquele campo de batalha horrendo.
É preciso ter estômago para ir ao parlamento.



Publicado no jornal O Riachense a 19 de Março de 2014

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