terça-feira, 4 de março de 2014

Maria Alice na Raiz de umas Ervilhas

Maria Alice gostava de esmiuçar os recantos do seu quintal fingindo ser uma corajosa aventureira, como aquelas das histórias que a sua irmã lhe contava ao deitar-se. Sempre se imaginara nas mais variadas expedições a locais nunca antes explorados e encontrando seres magníficos por onde passava.
Certa manhã, Maria Alice vislumbrou um coelho que corria desenfreado por entre as flores do jardim. Não era um coelho normal. Usava um colete e um relógio e parecia muito preocupado, enquanto saltava para dentro de uma toca. «Oh diacho!» pensou Maria Alice enquanto se sobressaltava, «Isto tem “Epopeia” escrito por todos os lados!» Então, aproximou-se cuidadosamente da entrada da misteriosa toca. A abertura era demasiado pequena para que lhe coubesse o corpo. «Se ao menos eu me pudesse encolher com um passo de magia...» Nesse momento agachou-se um pouco e reparou que mesmo ao lado estava uma planta diferente de todas as outras. Não teve dúvidas de que se tratava de um pé de ervilhas e com umas belas vagens prontas a serem colhidas. Aproximou-se mais um pouco e notou que, perto da raiz da planta, estava uma tabuleta minúscula com algumas letras pintadas de forma sublime. Semicerrou os olhos para que pudesse ver com mais detalhe o que estava escrito:
«COME-ME»
Maria Alice não gostava de ervilhas.

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